cult versus pop

Eu fui uma adolescente bem chata. Daquelas que levava livro para escola e ia ver filmes “cult” na Reserva Cultural. Não me levem a mal, eu amo ler e ainda frequento a Reserva Cultural – apesar de achar caro e preferir o Belas Artes –, não é esse o ponto. Eu era chata não porque eu gostava dessas coisas, mas porque eu achava que eu deveria ser a mais culta e inteligente, que meus gostos e preferências deviam ser sempre muito refinados. Adorava quando pessoas me diziam: “mas você não é muito jovem pra ler esse livro? ”, ou quando ficavam surpresas quando falava que escolhia os filmes pelo diretor (isso aconteceu de fato numa aula de inglês da oitava série. A professora ficou com uma cara de bunda e soltou um “sorry” meio irônico. Na hora não percebi, mas hoje vejo que era pedante pacas).

 

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foi mal pelo pedantismo, galera

Lá pelos meus 12 e até mais ou menos 15 anos, eu só ouvia punk-rock. Quer dizer, isso era o que eu gostava de afirmar, mas a real é que eu era a maior fã de Green Day que existia, e para combater aqueles que amavam me chamar de emo, eu dizia que gostava mais do começo da carreira deles, quando eles ainda não usavam lápis de olho e cantavam baladas melosas. A verdade verdadeira é que eu amava a carreira toda deles, mas não era emo de jeito nenhum! Imagine!

Para ~abrir meus horizontes~, comecei a ouvir outras coisas além de só Green Day. Fui pesquisar suas influências e acabei achando coisas muito legais. Amo até hoje o The Clash, por exemplo, e amei mais ainda sair por aí com uma camiseta deles e deixar adultos impressionados porque uma menina de 14 anos era fã de punk-rock.

Foi mais ou menos nessa época que comecei a curtir muito cinema. Acho que foi com uns 13 anos que vi Bananas do Woody Allen por acidente na tevê e fiquei encantada. Minha mãe se animou com meu interesse e me deu um “pequeno curso de cinema”, me apresentando Bergman, Fellini, Carlos Saura, Almodóvar, e por aí vai. Agora, imaginem isso: se eu já gostava de ser “aquela menina que tem gostos estranhos para idade dela”, a coisa só piorou quando meu eu de 15 anos espalhava por meio mundo que seu cineasta favorito era o Bergman!

Um tempo atrás eu vi esse tweet:

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desculpa, gente. juro que no fundo eu era legal

Nem posso explica o quanto me identifiquei com ele! Talvez eu mudasse para “se você me conheceu entre 2006-2013 me desculpa”.

Agora volto na questão: não vejo problema em gostar de ter Bergman como cineasta favorito com 15 anos, ou de ler “Crime e Castigo” com 14. Eu hoje ainda amo Bergman e Dostoiévski, talvez até mais do que antes. O problema era que eu achava que gostar dessas coisas e ser ~cult~ me impedia de curtir outras, de me identificar com a cultura pop também; de ler “Crepúsculo” (mesmo achando bem mal escrito) e ver “High School Musical” e “Camp Rock” – e gostar – sem culpa. Mesmo na minha fase punk-rock (que, na real, era bem emo mesmo, sorry), eu assistia MTV freneticamente e gostava escondido de My Chemical Romance e Panic! At the Disco.

No meu primeiro dia de aula do Ensino Médio eu tinha acabado de mudar de escola e não conhecia ninguém, só meu pai que era o professor de artes. Eu queria chegar e dar uma boa impressão logo de cara, então resolvi que no intervalo em vez de socializar com a galera, eu iria ficar lendo “Suave é a Noite” do Fitzgerald. Missão cumprida, 5 minutos depois eu era a ~intelectual~ da sala.  Pedante demais?

O que diria meu eu de 15 anos que ouvia só Beatles e Bob Dylan e via apenas filmes considerados “cabeça” para o meu eu de agora, de 22 anos, que está atualmente relendo “Harry Potter” (desde o início) e ouvindo One Direction sem parar? Não que eu não goste mais de Bob Dylan, pelo contrário, ainda amo de paixão, mas hoje eu sei que gostar de cultura pop, ouvir boybands e ver blockbusters, não deixa as pessoas menos inteligentes e interessantes. E, aliás, pensar assim é uma tremenda bobagem! Eu sempre gostei dos filmes da Disney, de ver novela com a minha mãe, de ler romances açucarados de amores impossíveis, mas eu tentava esconder, tinha vergonha. Outro dia, ouvindo minha playlist no aleatório, logo depois de tocar “AM” do último álbum do One Direction, tocou outra música que eu amo, “Beco do Mota” do Milton Nascimento. E olha só, funcionou!

Falando com uma amiga outro dia, eu brinquei dizendo que depois que eu vi “Gossip Girl” a minha vida mudou. Ela riu, mas eu sabia que era a mais pura verdade. Eu assisti a série durante uma greve da faculdade em 2014 e achei que era maravilhosa. Fiquei me perguntando: por que diabos eu não tinha visto antes?!? Depois daí a minha vida realmente mudou, porque eu achei a série tão incrível que precisava conversar sobre, e aí eu vi que todas as minhas amigas da faculdade tinham visto e que podíamos compartilhar nossas impressões. E discutir as personagens, os dramas, os plot-twists malucos, a quase doentia quantidade de waffles desperdiçados, era fantástico! Por que eu iria ficar com vergonha de fazer parte de uma coisa tão legal?

De uns tempos pra cá eu comecei a ter aversão a tudo que é “cult”. Se vejo uma resenha sobre um filme “cult”, já perco a vontade de ver. O que pode ser uma estratégia de marketing, para mim faz o efeito contrário. Eu gosto mesmo é de ir no cinema e ver filmes, seja o documentário sobre a Marina Abramovic ou o novo X-Men. Eu gosto de ler livros, seja “O Grande Sertão: Veredas” ou “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban” (o meu favorito da série!). Umas semanas atrás passei grande parte do meu tempo pensando em como estaria o novo cabelo do Harry Styles e eu digo com firmeza que não foi tempo desperdiçado.

Eu não me acho melhor ou pior que ninguém por gostar das coisas que gosto, até porque gosto não é mérito. O que posso afirmar com certeza é que hoje eu sou muito mais sincera comigo mesma, o que já é bem maneiro.

 

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sobre leituras e reflexões

Nesses últimos dias andei lendo bastante.

Li vários textos sobre meu projeto de iniciação científica, em que vou tentar relacionar o Brasil dos anos 60 com a URSS; então tenho lido muito sobre a Ditadura Militar, o que não é uma leitura muito agradável de se fazer, ainda mais vendo tudo isso que está acontecendo com o Brasil.

Li também vários textos sobre os absurdos que acontecem no país , um atrás do outro, sem parar. Semana passada até fiquei meio doente e tenho quase 100% de certeza que grande parte foi uma reação à posse do Temer.

Já faz um tempo que o impeachment deixou de ser algo bizarro para ser algo bem triste. Ainda durante a copa, em 2014, lembro que a torcida vaiando a presidenta Dilma ainda representava algo distante e estranho (além de ser extremamente mal educado). Depois tiveram as primeiras manifestações que pediam o afastamento da presidenta, ou até a sua renúncia, e com isso muitos e muitos memes e piadas me fizeram rir e pensar que toda essa galera gritando de verde e amarelo era bem louca, e o que e seus pedidos estavam bem distantes da realidade. Afinal, a Dilma havia vencido as eleições, não é mesmo? Vi o surgimento da maravilhosa página do facebook Humans of Protesto e acompanhei através dela a cobertura de algumas manifestações na Av. Paulista. Todas com requintes de excentricidade e banalidade, o suficiente para fazer uma boa piada e seguir com a vida.

Contudo, desde o começo desse ano que, pelo menos para mim, tudo isso deixou de ter o colorido de bizarrice, de loucura e de ignorância para ser bem perigoso. Foi quando vi selfies com policiais militares e pessoas fantasiadas de CBF, cartazes pedindo a volta dos militares, pessoas dizendo que a censura, os presos políticos, as pessoas torturadas e assassinadas, a falta de liberdade de expressão, foram apenas acidentes de percurso de um governo que só fez o bem do Brasil. Ou pior: pessoas que acreditavam que aquilo mesmo que deveria acontecer, e que nunca deveria ter sido eleita como presidenta do país uma mulher, ainda mais ex-guerrilheira. Todo o preconceito, falta de consciência história, machismo, misoginia me acertou como um soco na cara: aquilo também é o mundo em que vivo, aquelas pessoas são reais, não são memes, elas não estavam lá dizendo abobrinhas, quer dizer, estavam, mas elas realmente acreditavam naquelas abobrinhas.

Conforme o processo de impeachment seguia seu curso, as coisas ficavam cada vez mais sombrias e a minha querida e amada bolha esquerdista e feminista em que vivo foi ficando cada vez mais aparente e menor. Não que pessoas que conheço e gosto começaram a apoiar o golpe, mas continuar a viver despreocupadamente, achando até graça nos panelaços, não era mais possível. Comecei aí a me sentir oprimida. Fui um dia com um amigo na frente do prédio da Fiesp, logo depois que começou aquele “acampamento” anti-Dilma. Estavam lá amarrados bem na frente do prédio o famoso pato e o pixuleco. Paramos lá e fiquei observando, bem curiosa, como aquilo funcionava. Eles tinham um daqueles jogos de colocar a cabeça num corpo de papelão para tirar fotos, que normalmente é de algum personagem, mas o deles era de policiais federais durante a Lava-Jato. Além disso, um grupo segurando uma faixa “Buzine para o impeachment”, ou algo parecido, iam no meio da rua, na frente dos carros toda vez que o semáforo fechava, causando uma profusão de buzinas imensa, além dos gritos e assovios. Achei tudo um espetáculo de bizarrices. Nos primeiros minutos que fiquei lá foi até engraçado, senti um pouco de medo do meu ~estilo~ de fflchiana me denunciar naquela massa verde-amarela, mas ninguém nos abordou. Eu e meu amigo fomos então analisar os bonecos infláveis, fazendo planos mirabolantes de como estourá-los na próxima manifestação. Ainda era meados de março e eu nem imaginava o que viria pela frente, mas na volta para casa, comecei a me sentir pequena, como se tivesse acontecido o inverso: aquilo que eu acreditava ser o certo para o país fosse o motivo de piada.

Algumas semanas depois disso, aconteceu aquela tenebrosa votação da Câmara dos deputados. Se eu as vezes já me sentia um pouco oprimida, depois daquilo foi inevitável. Ainda mais sendo mulher, ver todos aqueles homens distorcendo tudo o que politica pública representa, me deu vontade de chorar. E foi isso que fiz. Acompanhei a votação por um link, sem ver os discursos, como se fosse placar de jogo de futebol, deitada na cama e com os olhos inchados de lágrimas, incapaz até de mudar a aba do navegador para a Netflix e tentar me distrair com alguma série.

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Mesmo depois de tudo aquilo, eu não queria  falar sobre, fazer um post no facebook ou aqui. Minha timeline estava cheia de textões bem lúcidos, informes, algumas tiradas engraçadas, não achava que acrescentaria nada à discussão ao oferecer meu humilde ponto de vista. Mas aí o senado aprovou o pedido de impeachment, a presidenta foi afastada, Michel Temer assumiu e colocou ao seu lado mais homens brancos para compor seu governo, como se já não tivéssemos homens brancos suficientes para ditar nossas vidas. Na faculdade, em casa, no bar da esquina, era difícil não se falar sobre isso. O que diabos está acontecendo com o Brasil?

No dia em que a Dilma saiu da presidência, eu estava no hospital tomando soro e remédios na veia. Meu pai, que estava comigo, tentou colocar esse assunto em pauta, mas eu estava tão abatida que não consegui formular uma sentença direito, preferi ficar lendo meu livro (o último de uma saga chamada “Raven Cycle”, ou “Saga dos Corvos”, no Brasil. Eu recomendo fortemente a leitura, são livros maravilhosos). No caminho de volta para casa ligamos o rádio. Um professor da USP estava sendo entrevistado e foi questionado sobre o próximo passo da, agora, oposição ao governo. Para ele, o governo Temer irá sofre fortemente com a grande resistência da esquerda, não será fácil o aceitamento das decisões retrógradas que serão tomadas, os movimentos sociais não aceitarão os cortes que irão sofrer sem luta, ele disse. Eu e meu pai ouvimos aquilo atentamente e respiramos um pouco mais aliviados. Havia ainda pessoas pensando parecido com a gente, resistindo, assim como nós.

A minha faculdade está de greve, assim como o restante dos estudantes e funcionários da USP. Mesmo sabendo de cor e salteado todos os lados ruins de greves; as aulas perdidas, o esvaziamento da universidade, o estresse,  falta de certezas, perigo de cancelamento do semestre, etc e tal, e mesmo a minha falta de vontade de participar mais ativamente do movimento estudantil e minhas milhares ressalvas com a forma que é feita política na USP, uma das coisas que mais me irritam nesses períodos é quando colegas estudantes se descabelam preocupados com suas formações, suas notas, seus trabalhos. O que mais se vê nos grupos da faculdade são posts do tipo: “tal professor vai dar aula na greve?”. Na primeira greve de estudantes que participei na faculdade, uma professora resolveu reunir seus alunos não para dar aula (afinal estávamos de greve), mas para conversar sobre aquilo tudo que estava acontecendo. Eu ainda não entendia qual deveria ser meu posicionamento sobre a greve, se queria participar ou se queria ter aula. Era o meu segundo ano de faculdade minha primeira experiência do tipo. Lembro até hoje dela falando que, numa situação como a de greve, não importa muito suas decisões como indivíduos, mas sim como coletivo. A nossa categoria de estudantes havia votado pela greve, então; consequentemente, como boa estudante que sou, deveria respeitar essa decisão. Foi uma fala tão simples e lógica, mas me marcou profundamente. Era quase óbvio. Numa universidade pública, bancada por dinheiro público, a decisão de um coletivo de pessoas tomada em uma assembleia democrática deveria ser soberana diante da decisão pessoal de um indivíduo. Assim, talvez um professor  que não concordasse com a greve quisesse dar aula, nós, estudantes em greve não iríamos para a aula. Sem alunos não há aula. Juntos nós estaríamos protegidos. É o mesmo agora. Junto das pessoas que pensam como eu, que são contra às mesmas coisas que eu sou contra, me sinto mais protegida, me sinto representada. Por mais que me sinta sozinha nesse mundo opressor, eu sei que há várias outras pessoas assim como eu, e que juntas ficamos melhor. E é isso me tranquiliza.

 

PS: esse final saiu mais otimista e com uma vibe “juntos venceremos” do que esperava no começo do post. Mas deixarei assim. Acho que é preciso registrar esses raros momentos positivos em frente aos acontecimentos recentes. Eu comecei com a intenção de falar sobre o que estava lendo e acabei falando sobre tudo o que queria evitar de falar. Me senti satisfeita.

Zona Oeste e seus mistérios

Apesar dos meus pais serem cariocas, eu e meus irmãos somos todos paulistanos, born and raised com orgulho em São Paulo. Tirando os momentos em que quero largar tudo e ir morar no meio do mato – o que tem acontecido com bastante frequência nos últimos tempos -, eu amo ter nascido em SP, amo mesmo. E muitas vezes sou bem clichê; amo andar à pé no centro antigo, atravessar a Paulista na chuva (menos a esquina da Paulista com a Augusta, que está no meu top 5 de lugares que mais odeio), caminhar pela cidade no inverno, quando o vento é bem frio, mas  o sol é bem quente, gosto muito chegar de viagem à noite e poder ver o contraste entre o escuro do céu com as luzes dos prédios, olhar para cima e me sentir bem pequenininha no meio da imensidão da cidade grande.

Andar à pé pela cidade é uma das coisas que mais gosto de fazer, “caminhando contra o vento sem lenço, sem documento”, assim, que nem Caetano. Mesmo tendo tirado a carta de habilitação, o carro é de longe o meio de transporte que menos gosto. Então, acumulei anos e anos de experiência pelas calçadas da cidade. Porém, mesmo com toda a minha vivência ~das ruas~, eu nunca consegui entender muito bem a divisão dos bairros de São Paulo.

Eu moro na Zona Oeste desde bebê, e estou na casa em que moro hoje há mais de quinze anos, o que me dá uma boa vivência pelos bairros da ZO. Moro na Lapa, minha mãe trabalha em Perdizes (ou será Pompéia?), já morei na Vila Leopoldina, estudo na USP, no Butantã, frequento muito Pinheiros, fazia terapia na Dr. Arnaldo, já caminhei muito pela Vila Madalena, posso andar de olhos fechados pela Heitor Penteado e ficar ok. Posso afirmar que conheço bem grande parte da Zona Oeste paulistana, mas mesmo assim tenho muitas dúvidas. Já perguntei para várias pessoas mais entendidas de direção que eu e continuei com muitas questões. Parece mesmo que a divisão de bairros é realmente um grande mistério. Pensando nisso, separei minhas maiores questões para expor aqui.

A Zona Oeste de São Paulo é composta por três grandes bairros e cada um desses bairros são administrados por uma subprefeitura. As três subprefeituras administram toda a região. Os bairros são:

  • Lapa
  • Pinheiros
  • Butantã
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olhem como tudo ainda parece claro e fácil de compreender

Até agora parece simples, mas com um olhar mais apurado é fácil perceber a bagunça que é essa região paulistana. Vamos começar pelo primeiro grande bairro, a Lapa.

Sou lapeana há mais de quinze anos, a maior parte da minha vida eu morei nesse bairro, mas mesmo assim tenho tantas duvidas que parece que sou recém-chegada. Minha casa, por exemplo, para alguns pode ficar situada na Vila Romana, mas é só andar poucas quadras que estamos no Alto da Lapa, ou se formos na direção contrária, posso chegar na Vila Ipojuca. A Lapa é conhecida por ser confusa. Aqui é onde as ruas fazem curvas, bifurcam, dão uma volta e permanecem sendo a mesma rua. Se eu sair de casa, descer a rua e virar à direita, estarei na Vila Romana, mas se eu seguir pela rua e virar novamente à direita, vou entrar na Vila Ipojuca, e tudo isso sem sair da mesma rua! Não é confuso? Por que não simplificar e chamar tudo de Lapa? Afinal, a Vila Romana é nada mais do que um conjunto de ruas cujos nomes tem alguma relação com o Império Romano, por exemplo: a rua Tito, rua Coriolano, rua Crasso, Espártaco, Aurélia e por aí vai. Mas o nome da minha rua não tem a menor relação com Roma, será por isso que não moro na Vila Romana? Qual será o real critério para essa divisão?

A Lapa tem outros mistérios: o Sesc Pompéia, por exemplo. Algum desavisado poderia supor que fica localizado na Pompéia, mas ele fica na rua Clélia, que ainda é Lapa. Falando em Pompéia, eu ainda não estou convencida de que esse bairro realmente exista. Para mim ele é pura invenção, obra de alguma teoria da conspiração. Metade dele é Lapa e a outra metade é Perdizes, Pompéia mesmo é só o nome da avenida.

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Zona Oeste: não vejo nenhum bairro chamado Pompéia!

Logo após o Sesc Pompéia, a rua Clélia acaba e começa a Avenida Francisco Matarazzo, que vai até o Elevado e a São João. Mas antes do centro, a Francisco Matarazzo ainda é Zona Oeste, mas em que bairro que ela fica? É Barra Funda? Água Branca? Afinal, Água Branca é realmente um bairro ou só o nome daquele parque? Em alguns lugares a Barra Funda é classificada como centro de São Paulo, mas deve ser apenas intriga da oposição, espero.

Um dia estava no carro com meu pai, estávamos na rua Heitor Penteado, a caminho da Paulista e eu perguntei: “Pai, que bairro que fica essa rua?” e ele respondeu: “Sei não filha, acho que é Sumarezinho”. Sumarezinho? O que diabos é Sumarezinho?? Fui pesquisar: aparentemente, Sumarezinho é um bairro do distrito de Pinheiros e por alguma razão do destino, é onde fica a estação de metrô da Vila Madalena. Não, meus queridos, o metrô Vila Madalena não fica na Vila Madalena, e sim no bairro de Sumarezinho!

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aaaaaaaaaah isso não faz sentidooooooooo!

Já que eu falei em Vila Madalena, eu tenho as minhas dúvidas quanto esse bairro. Reduto do ~cool~, de jovens alternativos, dos barzinhos bacanas, point do carnaval paulistano, das baladas lowkey, etc e tal, a Vila Madalena às vezes me parece ser que nem a Pompéia, fruto de alguma conspiração zona-oestiana para dificultar a locomoção pela região. Eu posso até estar exagerando, mas na maioria das vezes em que eu acho que estou na Vila Madalena, na real eu estou em Pinheiros. Sério, qual é a fronteira entre os bairros? É tão estreita a linha divisória entre eles que eu sempre atravesso sem perceber? Voto por placas “Bem Vindo à Vila Madalena”, só para poupar o estresse.

Vou preservar vocês da dor de cabeça que é Vila Ida (e volta), Vila Anastácio, Vila Beatriz, Vila Hamburguesa, Parque da Lapa, Alto da Lapa, City Lapa, Alto de Pinheiros, e por aí vai, infinitamente.

Quero terminar o post com um apelo: se alguém que leu minhas lamentações e entender melhor de Zona Oeste que eu, por favor, sinta-se livre para comentar, responder, me dar uma aula sobre o assunto. Mais do que um post, isso aqui é um desabafo de anos de dúvidas e incompreensão.

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